*Aqualung
Friday, August 21, 2009
Saturday, August 8, 2009
...
Afinal, nunca acabamos por saber as consequências do resultado das nossas escolhas.
É um tiro no escuro e o acreditar numa esperança.
Onde tudo acabará, onde nos levarão as nossas guerras, ninguém sabe.
Qual a diferença, qual o factor que molda os que resistem e os que desistem?
Será a vontade?
Será o destino?
E se foram as minhas escolhas que me trouxeram aqui, terei eu errado na bifurcação?
Talvez.
Tudo o que sei é que estou cansado.
E onde quer que o caminho nos leve, a verdade, essa, é de que nunca estamos totalmente preparados.
Thursday, August 6, 2009
Saturday, August 1, 2009
Ver, não ver...
Como estamos habituados às pequenas mudanças da natureza, o choque súbito de um ataque cardíaco que interrompe a vida é ainda algo de incompreensível.
Mas também é incompreensível a luz que surge do nada no meio de um compartimento devido ao gesto banal de carregar no interruptor. Estamos diante de um milagre e nascemos já dentro de milhares de outros milagres como este.
Comovo-me, por exemplo, ao ver uma velha senhora a ligar e a desligar o interruptor.
Assistir, primeiro, à força do velho braço que se levanta, que se afasta da posição de descanso; ver depois a velha mão mandar nessa minúscula peça que, estando para cima ou para baixo, impõe um espaço que se esconde ou se torna visível. Uma velha mão faz um gesto novo.
De qualquer maneira, sempre pensámos que o espaço não vê - não é coisa com olhos - e que existia apenas para ser visto, ou não, por nós. Por isso transferimos a sensação e, assim, o interruptor da electricidade, se não existir outra fonte de luz, passa a determinar a cegueira parcial e momentânea dos seres humanos. Ligo a luz: vejo. Desligo a luz: estou cego.
Este acto de ligar e desligar a electricidade introduz uma nova lengalenga: vejo, não vejo; vejo, não vejo.
Vejo, não vejo - eis um resumo do que é estar vivo: às vezes vemos e entendemos o que nos acontece, outras vezes não.


