Tuesday, March 24, 2009

Há dias assim


"fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir que está tudo bem: (...) as pessoas não imaginam (...): fingir que está tudo bem: o sangue a ferver sob a pele (...) tempestade de medo nos lábios a sorrir (...) ferros em brasa, fogo, silêncio (...): fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga."

José Luís Peixoto, in 'Criança em Ruínas'

Thursday, March 12, 2009

...

Vivemos, amamos.

E o passar do tempo vai-nos gastando, envelhecendo-nos à medida que vamos lutando por aquilo que sonhamos. Mas tudo isto nos enriquece.

Planeamos uns passos, a vida obriga-nos a dar outros. Momentos lúcidos em que se tem noção que nesta vida é necessário lutar afincadamente pelos sonhos.

Por vezes desgastados por acidentes de percurso que nos são 'oferecidos', quiçá, como teste à extrema capacidade humana de lutar, de viver, sobreviver perante a mais difícil das circunstâncias.

Uma vida cheia de sonhos, planos traçados, futuro risonho.

Não é este o ideal perfeito?

Alturas há em que por circunstâncias que nos são alheias, existe um esforço extra a fazer para poder continuar a lutar por todos os sonhos. Nunca esse esforço fez antes parte dos planos, nem nunca o consequente desgaste 'entrou nas contas' das lutas a travar.

Há dias, em que arduamente continuo essa luta, quando todo o meu corpo reclama sossego.

É nesses dias que questiono:

Afinal, até que ponto consegue o ser humano aguentar?