Neste meu mundo que criei, existem dois habitantes diferentes. Há aquele que carrega todos os fantasmas e vive tragédias criadas por si e para si. É aquele de olhar vazio e que traz como fiel companheira a sua dor. E depois há o outro, de sorriso no rosto. Aquele que as pessoas gostam de ver. "Gosto de te ver com esse teu novo ar." - comentam. Mas qual dos dois será real? É que eu sinto que sou uma farsa. Que por detrás desta máscara de químicos não passo de um fantasma.
Vieste gradualmente como se nada nem ninguém o fizesse prever. Colocaste-te á minha porta, e eu sem janelas por onde sair. Encobriste-me por completo e deste-me tudo o que carregavas. Vieste gradualmente, e gradualmente terei agora que te enfrentar...de novo!
"Em 1678 médicos diagnosticaram uma perturbação mental de que sofriam alguns soldados como 'nostalgia' - um desejo de voltar ao passado."
A realidade dura de uma guerra é que não há regresso ao passado. Não há regresso a tudo aquilo que se era e que não se volta a ser. Não há regresso a essa inocência. É um ponto de mudança. Tudo o que é perdido, é perdido para sempre. E quando essa guerra acontece dentro de nós, não há palavras de conforto. Não há palavras de perdão. Estará então esta guerra a valer a pena? Onde me levará este 'tiro no escuro'?