Sunday, August 31, 2008
Saturday, August 30, 2008
Thursday, August 28, 2008
What is it?

"Fecho os olhos e penso com toda a minha força na minha nova condição, ainda que não esteja bem certo do que significa. Tudo o que sei é que estou completamente sozinho. Desterrado numa terra desconhecida, como um explorador solitário sem bússola nem mapa."
(Haruku Murakami, in 'Kafka à beira-mar')
Será isto liberdade ou extrema solidão?
Tuesday, August 26, 2008
Mirror
"Realmente o amor pode libertar o ser introvertido dos abismos da introversão. É o caso dos poetas amorosos: os únicos que na nossa poesia podem ser subjectivos ou introvertidos sem grande dano para si próprios. O homem, para amar, precisa de sair de si mesmo. Narciso ama-se a si próprio, vive enamorado da sua própria imagem. É de si e para si que vive. "A tristeza de nunca sermos dois". Essa é a tristeza de Narciso, a tristeza de todo o homem que não pode sair de si mesmo para aceitar a realidade alheia. O homem ama porque se sente só. Na sua solitária insuficiência espera encontrar fora de si o que nela lhe falta. Há pois, no amor, um sentimento de insuficiência. Esse sentimento existia nele, mas tão forte, tão permanente e tão irremediável que só noutro mundo esperava completar-se. A sua insuficiência afectava-lhe o lado mais importante da personalidade. Ele sentia-se ilimitado: olhava-se a um espelho e não se via. O mundo atravessava-o de lado a lado. Como aspirar então o amor? Como oferecer-se aos outros? Os outros querem realidades. Ele era um fantasma. Como esperar firmeza, lealdade, confiança da parte de um fantasma?"
(adaptado - João Gaspar Simões in 'Poesia de Mário de Sá-Carneiro')
[Mário de Sá-Carneiro nasceu em Lisboa, a 19 de Maio de 1890. Suícidou-se em Paris, a 26 de Abril de 1916. Sobre ele escreveu Fernando Pessoa:
Mário de Sá-Carneiro não tem biografia, só génio]
Monday, August 25, 2008
Tarde Demais

O caminho que tento começar a percorrer há já algum tempo, deveria ter sido tomado muito antes.
Não foi isto que eu quis.
Não foi isto que eu sonhei e não era isto que eu relatava em criança quando carinhosamente alguém me perguntava o que queria ser, quais os sonhos que me moviam.
Nessa altura tinha sonhos. Ainda os tenho, mas já estão adormecidos, dormentes com todo este peso que eu coloquei por cima deles.
A dormência impossibilita o movimento.
Os meus sonhos não voltaram a mover-se. Não voltaram a voar livremente. Não os voltei a sentir da maneira que inocentemente sentia em criança.
-Haja esperança - dizem.
Pois a esperança não é mais do que o manter vivo um sonho e acreditar nele.
Lutar por ele.
De que é então feita a esperança quando já não existem sonhos?
De que vale que o mundo acredite em nós, quando nós já não acreditamos em nós mesmos?
De que valem as palavras apaziguadoras, confortantes, amáveis, quando já não acreditamos nos nossos sonhos?
De que vale?
Talvez valha o sorriso dos outros, dos que nos rodeiam.
Talvez valha todas as alegrias e tristezas, todos os momentos e até o mais ínfimo silêncio junto deles.
E eu?
É essa a culpa que não quero sentir que me faz ponderar cada passo.
Se ao menos tivesse aprendido a olhar um pouco mais para mim talvez tudo seria diferente.
Talvez.
Agora, resta uma só certeza:
É tarde demais.
Não foi isto que eu quis.
Não foi isto que eu sonhei e não era isto que eu relatava em criança quando carinhosamente alguém me perguntava o que queria ser, quais os sonhos que me moviam.
Nessa altura tinha sonhos. Ainda os tenho, mas já estão adormecidos, dormentes com todo este peso que eu coloquei por cima deles.
A dormência impossibilita o movimento.
Os meus sonhos não voltaram a mover-se. Não voltaram a voar livremente. Não os voltei a sentir da maneira que inocentemente sentia em criança.
-Haja esperança - dizem.
Pois a esperança não é mais do que o manter vivo um sonho e acreditar nele.
Lutar por ele.
De que é então feita a esperança quando já não existem sonhos?
De que vale que o mundo acredite em nós, quando nós já não acreditamos em nós mesmos?
De que valem as palavras apaziguadoras, confortantes, amáveis, quando já não acreditamos nos nossos sonhos?
De que vale?
Talvez valha o sorriso dos outros, dos que nos rodeiam.
Talvez valha todas as alegrias e tristezas, todos os momentos e até o mais ínfimo silêncio junto deles.
E eu?
É essa a culpa que não quero sentir que me faz ponderar cada passo.
Se ao menos tivesse aprendido a olhar um pouco mais para mim talvez tudo seria diferente.
Talvez.
Agora, resta uma só certeza:
É tarde demais.
*Foto por Zeta-Roda-Sigma
Monday, August 18, 2008
Saturday, August 9, 2008
Nada!
Este vácuo medonho que sinto no meu seio.
Resta-me o pensamento de que o vácuo é um vazio cheio
de nada!
Resta-me o pensamento de que o vácuo é um vazio cheio
de nada!
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