Sunday, July 13, 2008

Tarde demais...


"Muito cedo na minha vida foi tarde demais. Aos dezoito anos era já tarde demais. Entre os dezoito e os vinte e cinco anos o meu rosto partiu numa direcção imprevista. Aos dezoito anos envelheci. Não sei se é assim com toda a gente, nunca perguntei. Parece-me ter ouvido falar dessa aceleração do tempo que nos fere por vezes quando atravessamos as idades mais jovens, mais celebradas da vida. Este envelhecimento foi brutal. Vi-o apoderar-se dos meus traços um a um, alterar a relação que havia entre eles, tornar os olhos maiores, o olhar mais triste, a boca mais definitiva, marcar a fronte de fendas profundas.
(...)
Tenho um rosto lacerado de rugas secas e profundas, a pele quebrada. Não amoleceu como certos rostos de traços finos, conservou os mesmos contornos mas a sua matéria está destruída. Tenho um rosto destruído.
(...)
A história da minha vida não existe. Isso não existe. Nunca há um centro. Não há caminho, nem linha.
Há vastos lugares onde se faz crer que havia alguém, não é verdade, não havia ninguém."

Marguerite Duras, in 'O Amante'

Thursday, July 10, 2008

"Quero saber o que desejas ardentemente, se ousas sonhar em atender aquilo pelo qual o teu coração anseia(...)
Quero saber se arriscarás parecer um tolo por amor, por sonhos, pela aventura de estar vivo.
(...)
Quero saber se tocaste o âmago da tua dor, se as traições da vida te abriram ou se te tornaste murcho e fechado por medo de mais dor!
Quero saber se podes suportar a dor (...) sem procurar escondê-la, reprimi-la ou narcotizá-la (...)
Quero saber se consegues desapontar outra pessoa para ser autêntico contigo mesmo, se podes suportar a acusação de traição e não traíres a tua alma.
(...)
Quero saber se podes viver com o fracasso (...)
Quero saber se podes levantar-te após uma noite de sofrimento e desespero, cansado, ferido até aos ossos, e fazer o que tem de ser feito (...)
Quero saber o que te sustenta a partir de dentro, quando tudo o mais se desmorona.
Quero saber se consegues ficar sozinho contigo mesmo e se, realmente, gostas da companhia que tens nos momentos vazios."

Jean Houston