"Olhou-se no espelho e viu um estranho. Recusou-se a assimilar o reflexo num suspiro quase inaudível de insatisfação. Em vão. Atenuar efeitos não o sustentaria agora - nada o sustentaria agora. Ainda assim pensava ser ilógico tudo aquilo. Não entendia como o rosto continuava o mesmo. Quem era aquele que, dissimuladamente, estava a ocupar seu lugar? Fez incidir pensamentos sobre pensamentos, mas não concluiu coisa alguma. Sentiu-se prisioneiro em si mesmo, um "si" que já nem o pertencia mais. Chorou cada lágrima do outro como se fosse sua para, finalmente, aceitar que era dois. Sempre fora dois."
Sunday, April 27, 2008
Friday, April 25, 2008
Thursday, April 17, 2008
O Haver
(...) Resta essa faculdade incoercível de sonhar, de transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade; de aceitá-la tal como é, e essa visão ampla dos acontecimentos, e essa impressionante e desnecessária presciência, e essa memória anterior de mundos inexistentes, e esse heroísmo estático, e essa pequenina luz indecifrável a que às vezes os poetas dão o nome de esperança.
(...) Resta esse diálogo quotidiano com a morte, essa curiosidade pelo momento a vir, quando, apressada ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada. Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto, esse eterno levantar-se depois de cada queda, essa busca de equilíbrio no fio da navalha, essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo infantil de ter pequenas coragens.
Vinicius de Moraes, in 'Jardim Noturno - Poemas Inéditos'
(...) Resta esse diálogo quotidiano com a morte, essa curiosidade pelo momento a vir, quando, apressada ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada. Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto, esse eterno levantar-se depois de cada queda, essa busca de equilíbrio no fio da navalha, essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo infantil de ter pequenas coragens.
Vinicius de Moraes, in 'Jardim Noturno - Poemas Inéditos'
Tuesday, April 15, 2008
Prisons

"Our bodies are prisons for our souls. Our skin and blood, the iron bars of confinement. But fear not. All flesh decays. Death turns all to ash. And thus, death frees every soul."
(Há correspondência com "The Fountain")
Thursday, April 10, 2008
Tuesday, April 8, 2008
Equilíbrio
Somos do tamanho daquilo que sentimos e não do tamanho que os outros nos vêem - dizem.
Se assim for, não haverá então alturas em que somos grandes, enormes? Quando sentimos que carregamos todos os sentimentos do mundo, o que quer que seja que isso signifique ou acarrete. E quando a nossa grandeza se torna também na nossa maior fraqueza, então sim, aí acarreta muita coisa. Aí os sonhos e a esperança vivem lado a lado com a desilusão e o desespero.
Caminhamos numa ténue linha que separa todos estes sentimentos opostos.
[E ainda hoje não compreendo porque os chamam de opostos].
O desespero é o que se apodera de nós quando a esperança já se foi, e isto faz com que também esse desespero seja parte da tão insistente esperança (que teima em querer ficar, talvez para esconder a desilusão pronta a aparecer ao primeiro adeus do sonho).
Assim sendo, acredito que não seja assim tão descabido toda essa presumível grandeza ser também a maior fraqueza.
É suposto existir um certo equilíbrio.
Não será?
Mas como se aprende a ver (e ganhar) esse equilíbrio, quando do nosso lado esquerdo carregamos todo o peso de uma vida?
Todas as tristezas, todas as alegrias.
Se esse suposto equilíbrio não existir, então, no nosso coração, uma delas é rainha.
No entanto, ainda estamos vivos.
Certo?
Se assim for, não haverá então alturas em que somos grandes, enormes? Quando sentimos que carregamos todos os sentimentos do mundo, o que quer que seja que isso signifique ou acarrete. E quando a nossa grandeza se torna também na nossa maior fraqueza, então sim, aí acarreta muita coisa. Aí os sonhos e a esperança vivem lado a lado com a desilusão e o desespero.
Caminhamos numa ténue linha que separa todos estes sentimentos opostos.
[E ainda hoje não compreendo porque os chamam de opostos].
O desespero é o que se apodera de nós quando a esperança já se foi, e isto faz com que também esse desespero seja parte da tão insistente esperança (que teima em querer ficar, talvez para esconder a desilusão pronta a aparecer ao primeiro adeus do sonho).
Assim sendo, acredito que não seja assim tão descabido toda essa presumível grandeza ser também a maior fraqueza.
É suposto existir um certo equilíbrio.
Não será?
Mas como se aprende a ver (e ganhar) esse equilíbrio, quando do nosso lado esquerdo carregamos todo o peso de uma vida?
Todas as tristezas, todas as alegrias.
Se esse suposto equilíbrio não existir, então, no nosso coração, uma delas é rainha.
No entanto, ainda estamos vivos.
Certo?
Thursday, April 3, 2008
Subscribe to:
Posts (Atom)


