Faltando a inspiração de outros dias, aqui fica.
Sunday, March 30, 2008
Wednesday, March 26, 2008
Saturday, March 22, 2008
Mors et Vita
Naquela noite chuvosa, a voz por detrás do telefone parecia trémula.
-Estás bem? - perguntava.
Sabendo eu que aquela pergunta queria revelar algo que a alma não conseguia guardar.
A conversa não passou dali.
A manhã seguinte chegou, com um acordar que prometia um dia solarengo.
Uma inesperada visita despertou-me.
Ofereceu-me um bom dia com um sorriso - não genuíno, é certo - mas no entanto era ainda um sorriso. Ainda agora o recordo, tal era a tristeza que carregava.
A conversa trivial que se instalou soava-me a "cerimónia". No fundo ambos sabíamos o motivo daquele encontro - pelo menos eu desconfiava.
A voz tornou-se ainda mais trémula e a insegurança notava-se no mais pequeno poro, como quem transpira depois de um enorme esforço (fisíco ou psicológico).
Um silêncio ensurdecedor e pesado instalou-se.
Ele ganhava a coragem para soltar o que o trouxera ali.
Eu permanecia na ângústia da espera, querendo ouvir a justificação.
-Chegou a hora. Partiu. - e o silêncio quebrou-se.
As lágrimas correram-me.
Ele permanecia apático no seu olhar, querendo no entanto demonstrar toda a segurança do mundo.
Eu via nele o homem que tentava suportar todo o peso do mundo ao conter aquelas lágrimas que tanto gritavam para sair.
O dia que prometia ser solarengo, rápido se tornou chuvoso. Em todos os sentidos.
Talvez fossem os anjos a soltar as lágrimas que se tentavam conter para não transparecer a dor.
Para mim não foi o fim. Foi um até já, como quem nos espera na próxima esquina sempre a olhar por nós.
Sei agora que nos dias solarengos que virão, parte do brilho virá também do verde dos teus olhos. Nesses dias, em todos os outros dias, resta-me dizer:
Até já.
["A morte é continuação. Uma partida que tem reencontro" - (CSMF)]
2:37
Intrigante. Perturbador. Imperdivel.

Mais do que lidar com os nossos erros, até que ponto conseguimos lidar com nós mesmos?
Monday, March 17, 2008
Sunday, March 16, 2008
Os Mesmos Erros
"Mesmo um exame superficial da história revela que nós, seres humanos, temos uma triste tendência para cometer os mesmos erros repetidas vezes.
Temos medo dos desconhecidos ou de qualquer pessoa que seja um pouco diferente de nós.
Quando ficamos assustados, começamos a ser agressivos para as pessoas que nos rodeiam.
Temos botões de fácil acesso que, quando carregamos neles, libertam emoções poderosas."
Carl Sagan, in 'O Mundo Infestado de Demónios'
Temos medo dos desconhecidos ou de qualquer pessoa que seja um pouco diferente de nós.
Quando ficamos assustados, começamos a ser agressivos para as pessoas que nos rodeiam.
Temos botões de fácil acesso que, quando carregamos neles, libertam emoções poderosas."
Carl Sagan, in 'O Mundo Infestado de Demónios'
Saturday, March 15, 2008
Dostoiévski
"Sou um mestre na arte de falar em silêncio.
Toda a minha vida falei calando-me e vivi em mim mesmo tragédias inteiras sem pronunciar uma palavra"
(Fiódor Dostoiévski)
Toda a minha vida falei calando-me e vivi em mim mesmo tragédias inteiras sem pronunciar uma palavra"
(Fiódor Dostoiévski)
Friday, March 14, 2008
Navegar
O oceano é infinito e o barco continua a navegar.
As noites, os dias. Nada o impede de continuar o caminho.
Há noites em que as estrelas simplesmente não se vêm, talvez encobertas pelo cinzento das nuvens que a tempestade trouxe.
E fico agora com um mapa que não consigo decifrar.
Hoje sou um pouco de tudo isto. Sou mar, sou noite, sou tempestade, sou um pouco de qualquer coisa.
A esperança do amanhã permanece e estou disposto a deixar que esse amanhã me conheça.
Que venham as estrelas cintilantes que me guiam na noite.
Que venham os raios de sol no silêncio da manhã, que atravessem o mar e o tornem água luminosa.
Estou vivo e sou alguém.
Embora um pouco longe vou continuar (talvez algumas das vezes perdido).
O que realmente importa é continuar a navegar.
As noites, os dias. Nada o impede de continuar o caminho.
Há noites em que as estrelas simplesmente não se vêm, talvez encobertas pelo cinzento das nuvens que a tempestade trouxe.
E fico agora com um mapa que não consigo decifrar.
Hoje sou um pouco de tudo isto. Sou mar, sou noite, sou tempestade, sou um pouco de qualquer coisa.
A esperança do amanhã permanece e estou disposto a deixar que esse amanhã me conheça.
Que venham as estrelas cintilantes que me guiam na noite.
Que venham os raios de sol no silêncio da manhã, que atravessem o mar e o tornem água luminosa.
Estou vivo e sou alguém.
Embora um pouco longe vou continuar (talvez algumas das vezes perdido).
O que realmente importa é continuar a navegar.
Adormecido
No cenário da tua vida
Aclamas noites alucinantes
De gentes estonteantes
Que são tanto como tu
No teatro do teu olhar
Há quem note que a coragem
Não passa de uma miragem
Com preguiça de gritar
No repetir do teu mostrar
Inventas-te uma história
Que em ti não há memória
Porque sabes que não é tua...
(...)
Continuas a ensaiar
A conveniência do sorriso
O planear do improviso
Que te faz sentir maior
No artifício dos teus gestos
Pensas abraçar o mundo
Quando nem por um segundo
Te abraças a ti mesmo
E assim vais vivendo
E assim andando aí
E assim perdendo em ti
Tudo aquilo que nunca foste...
(...)
Quando um dia acordares
Numa noite sem mentira
E te vires onde não estás
Vais querer voltar para trás.
(Toranja)
Aclamas noites alucinantes
De gentes estonteantes
Que são tanto como tu
No teatro do teu olhar
Há quem note que a coragem
Não passa de uma miragem
Com preguiça de gritar
No repetir do teu mostrar
Inventas-te uma história
Que em ti não há memória
Porque sabes que não é tua...
(...)
Continuas a ensaiar
A conveniência do sorriso
O planear do improviso
Que te faz sentir maior
No artifício dos teus gestos
Pensas abraçar o mundo
Quando nem por um segundo
Te abraças a ti mesmo
E assim vais vivendo
E assim andando aí
E assim perdendo em ti
Tudo aquilo que nunca foste...
(...)
Quando um dia acordares
Numa noite sem mentira
E te vires onde não estás
Vais querer voltar para trás.
(Toranja)
Wednesday, March 12, 2008
Sunday, March 9, 2008
Requiem For a Dream
"Até a esperança se pode tornar num vício"
(Darren Aronofsky)
Darren Aronofsky não cria filmes, cria experiências.
Perturbante desde o primeiro ao último segundo.
(Darren Aronofsky)
Darren Aronofsky não cria filmes, cria experiências.
Perturbante desde o primeiro ao último segundo.
Monday, March 3, 2008
Extreme Ways
"I closed my eyes and closed myself
And closed my world and never opened
Up to anything
That could get me along
I had to close down everything
I had to close down my mind
Too many things to cover me
Too much can make me blind
I've seen so much in so many places
So many heartaches, so many faces
So many dirty things
You couldn't even believe"
(Moby)
Would I stand in line for this?
See you.
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