Sunday, October 26, 2008

Dark


Hoje reparei que havia uma certa quantidade de objectos negros à minha volta, espalhados por diversos sítios.
Na parede do quarto, na porta do armário, a cadeira em que me encontrava no momento em que escrevi estas palavras.
O objecto que mais chamou a atenção encontrava-se sobre a cama.
Uma capa negra com a qual me cobri uns momentos antes, ao tentar procurar algum descanso.
E a maneira como me cobri com aquela capa poderia ser reveladora de algo.
Quem sabe?
Como uma vida dentro do ventre materno, ali me encontrava eu, na posição fetal, debaixo daquela capa negra, como quem se esconde de qualquer raio de luz.
A janela, essa, encontrava-se fechada. As persianas bloqueavam qualquer claridade.
E naquele silêncio, naquela escuridão, quase que se ouvia nitidamente a luz a pedir permissão para entrar. Foi-lhe negada vezes sem conta.
Não havia ponta de luz naquele quarto.
Houvesse uma ínfima quantidade de luz, e seria logo descoberta por entre todo aquele negro.

Não será na escuridão que a luz mais sobressai?
Então porque continuo de olhos bem fechados?

Saturday, October 25, 2008

No more words


Busco nas palavras o conforto.
No entanto, ao reler-me, fica a seguinte questão:
Estarei eu perdido?
Perco-me por divagações.
Releio as minhas mais recentes palavras e penso:

Talvez seja melhor render-me a este silêncio morto.

*Foto por Murderdoll

Saturday, October 18, 2008

Zeitgeist

No final dos seus espectáculos, Bill Hicks utilizava sempre o mesmo discurso:

"A vida é como um carrossel, e quando lá vamos julgamos que é real devido ao poder das nossas mentes.
A viagem sobe e desce, anda ás voltas, tem emoções fortes, brilhantes e coloridas.
Há muito barulho e é divertido por um bocado.
Alguns já andam nessa viagem há já algum tempo e começam a colocar questões:
Será isto real?
Ou será isto apenas uma viagem?
Outras pessoas lembram-se, viram-se para nós e dizem:
-Não te preocupes, não tenhas medo. Isto é só uma voltinha.
Mas nós, matamos essas pessoas.
-Calem-no! Eu investi imenso nesta viagem. Calem-no!
Olhem para mim, para isto que sou. Isto tem de ser real.
-É só uma voltinha.
Mas matamos sempre aquelas pessoas que nos tentam dizer isso.
Deixamo-nos entregar aos nossos fantasmas. Mas não importa, porque é só uma viagem e podemos alterá-la sempre que quisermos.
É apenas uma escolha.
Uma escolha agora mesmo entre o medo e o amor."

Hoje questiono-me se terei matado alguém neste caminho.
Queremos diferenciarmo-nos de tudo o resto, de todos os outros, mas ao fazermos isto apenas acabaremos por concluir o quão separados de nós os outros estão.
Estamos sozinhos connosco.
E depois existem aquelas experiências de certa forma dramáticas.
É o estar com uma pessoa e de repente reparar que em certos aspectos somos exactamente iguais, não muito diferentes.
Acabo por experimentar o facto de que a essência que há em mim, é a essência que há também nos outros.
É a compreensão que como seres humanos somos apenas um.
E eu sempre ponderar sobre o tempo que julgo gasto nos últimos anos a tentar ser alguma coisa.
A tentar ser bom em diversas coisas.
Mas isso nunca me fez sentir bem, porque o que eu tenho tentado fazer é descobrir quem no fundo sou eu realmente.
Não há razão para não sabermos quem somos na realidade, e tudo isso é aprendido ao longo do caminho.
Para isso temos de nos afastar da consciência que criamos em que julgamos ser um só organismo. Somos mais que isso. Somos um puzzle contruído por várias e diferentes peças em constante crescimento, num constante processo de evolução.
Não podemos ser um só. Somos fruto de várias vivências ao logo deste caminho.
Se tentarmos ser um só, entramos em guerra connosco próprios, e isso é estar condenado.
Peço desculpa se terei matado alguém ao tentar ser esse só organismo.
Acabei condenado por mim próprio.
Mas há sempre que relembrar que isto é só uma viagem.
É só uma voltinha.

Wednesday, October 8, 2008

Nota pessoal

Ao longo dos últimos tempos, a minha escrita tem vindo a tornar-se pesada e talvez até um pouco obscura. Não foi esta a minha ideia original para este blog, que foi perdendo a cor com o tempo, mas todos sabemos que o nosso percurso neste mundo não se efectua de modo algum, de uma forma linear.
Talvez estes desvios sirvam para nos voltarmos a encontrar.
Não é um erro. É uma necessidade.
Nos últimos dias tomei noção do desvio que tenho feito, talvez pelo medo de voltar a esta realidade e errar.
E o medo, esse, condiciona tudo.

Neste desvio acabei por me esconder por detrás de uma máscara, usada não por maldade, mas apenas pelo desejo de permanecer chegado àqueles à minha volta, poupando-os assim da realidade complicada da minha mente desgastada.
E por detrás da máscara mantenho cabisbaixo, e ao fazê-lo resigno-me a terríveis destinos que não posso ver chegar.
Hoje compreendi que são as nossas memórias, as nossas vivências que dão sentido à nossa existência, e isso incluí todas as paixões, todos os medos, todos os arrependimentos.

Estamos destinados a suportar a escuridão com luz, o mal com o bem, o desapontamento com o sucesso.
Acabaremos sempre por ser confrontados com os nossos piores pesadelos.
Não há muito por onde escolher. Lutamos ou fugimos.
Quando lutamos, esperamos sempre encontrar as forças para encarar os nosso medos, mas por vezes, apesar de nós próprios, fugimos.
Aí coloca-se a questão:
E quando o pesadelo nos persegue, onde nos podemos esconder nesse caso?
São estes momentos de fraqueza, momentos em que perdemos a fé que nos fazem humanos.
São todas as nossas imperfeições.
E como humanos, temos uma certeza:
No final, temos de lutar para nos aguentarmos.

Sunday, October 5, 2008

Heroes


"Na busca contínua por nós próprios, há dias em que descobrimos algo genuinamente novo. Algo não descoberto, escondido. Algo que nunca soubemos que lá estava, algo que nos surpreende. E nesse dia de descoberta própria, a pergunta permanece:
Que tipo de pessoas somos nós?
E enquanto a busca por nós próprios continua, procuramos por respostas em todo lado. Na natureza, em Deus, em pequenas tragédias que poderão nunca ser entendidas. Mas mesmo assim, somos levados até elas, com a mente num só objectivo:
Encontrar o nosso caminho neste mundo.
Por vezes não interessa quais as ramificações, as amizades que possam ser feridas, ou os pactos com o diabo que tenhamos de fazer."

(...)

Não temo fantasmas porque eles moram comigo.
Mais do que isso,

Eles vivem em mim.

Thursday, October 2, 2008

Blackout

(...)
Don't kid yourself
And don't fool yourself
This life could be the last
And we're too young to see*

*Muse


Bater no fundo


"Todas as tentativas para infundir alguma esperança revelam-se um fracasso."

*Foto por Jole