Thursday, December 11, 2008

Pardon me


I'm one step from a breakdown 

Two steps from being safe

I'm three steps from this nightmare

And four steps from the door

The rest isn't up to me.

(...)

I'm two steps from salvation, but i´m only taking one.

Pardon me.

*Foto por Surrealeye

Thursday, November 13, 2008

No words

Não consigo escrever.

Soltar as palavras e dar a ouvir este grito mudo de revolta de um silêncio que me rasga a alma.

...


Neste meu mundo que criei, existem dois habitantes diferentes.
Há aquele que carrega todos os fantasmas e vive tragédias criadas por si e para si.
É aquele de olhar vazio e que traz como fiel companheira a sua dor.
E depois há o outro, de sorriso no rosto.
Aquele que as pessoas gostam de ver.
"Gosto de te ver com esse teu novo ar." - comentam.
Mas qual dos dois será real?
É que eu sinto que sou uma farsa.
Que por detrás desta máscara de químicos não passo de um fantasma.

Again and again.

Vieste gradualmente como se nada nem ninguém o fizesse prever.
Colocaste-te á minha porta, e eu sem janelas por onde sair.
Encobriste-me por completo e deste-me tudo o que carregavas.
Vieste gradualmente, e gradualmente terei agora que te enfrentar...de novo!

Tuesday, November 4, 2008

Nostalgia?


"Em 1678 médicos diagnosticaram uma perturbação mental de que sofriam alguns soldados como 'nostalgia' - um desejo de voltar ao passado."

A realidade dura de uma guerra é que não há regresso ao passado.
Não há regresso a tudo aquilo que se era e que não se volta a ser.
Não há regresso a essa inocência.
É um ponto de mudança.
Tudo o que é perdido, é perdido para sempre.
E quando essa guerra acontece dentro de nós, não há palavras de conforto.
Não há palavras de perdão.
Estará então esta guerra a valer a pena?
Onde me levará este 'tiro no escuro'?

Sunday, October 26, 2008

Dark


Hoje reparei que havia uma certa quantidade de objectos negros à minha volta, espalhados por diversos sítios.
Na parede do quarto, na porta do armário, a cadeira em que me encontrava no momento em que escrevi estas palavras.
O objecto que mais chamou a atenção encontrava-se sobre a cama.
Uma capa negra com a qual me cobri uns momentos antes, ao tentar procurar algum descanso.
E a maneira como me cobri com aquela capa poderia ser reveladora de algo.
Quem sabe?
Como uma vida dentro do ventre materno, ali me encontrava eu, na posição fetal, debaixo daquela capa negra, como quem se esconde de qualquer raio de luz.
A janela, essa, encontrava-se fechada. As persianas bloqueavam qualquer claridade.
E naquele silêncio, naquela escuridão, quase que se ouvia nitidamente a luz a pedir permissão para entrar. Foi-lhe negada vezes sem conta.
Não havia ponta de luz naquele quarto.
Houvesse uma ínfima quantidade de luz, e seria logo descoberta por entre todo aquele negro.

Não será na escuridão que a luz mais sobressai?
Então porque continuo de olhos bem fechados?

Saturday, October 25, 2008

No more words


Busco nas palavras o conforto.
No entanto, ao reler-me, fica a seguinte questão:
Estarei eu perdido?
Perco-me por divagações.
Releio as minhas mais recentes palavras e penso:

Talvez seja melhor render-me a este silêncio morto.

*Foto por Murderdoll

Saturday, October 18, 2008

Zeitgeist

No final dos seus espectáculos, Bill Hicks utilizava sempre o mesmo discurso:

"A vida é como um carrossel, e quando lá vamos julgamos que é real devido ao poder das nossas mentes.
A viagem sobe e desce, anda ás voltas, tem emoções fortes, brilhantes e coloridas.
Há muito barulho e é divertido por um bocado.
Alguns já andam nessa viagem há já algum tempo e começam a colocar questões:
Será isto real?
Ou será isto apenas uma viagem?
Outras pessoas lembram-se, viram-se para nós e dizem:
-Não te preocupes, não tenhas medo. Isto é só uma voltinha.
Mas nós, matamos essas pessoas.
-Calem-no! Eu investi imenso nesta viagem. Calem-no!
Olhem para mim, para isto que sou. Isto tem de ser real.
-É só uma voltinha.
Mas matamos sempre aquelas pessoas que nos tentam dizer isso.
Deixamo-nos entregar aos nossos fantasmas. Mas não importa, porque é só uma viagem e podemos alterá-la sempre que quisermos.
É apenas uma escolha.
Uma escolha agora mesmo entre o medo e o amor."

Hoje questiono-me se terei matado alguém neste caminho.
Queremos diferenciarmo-nos de tudo o resto, de todos os outros, mas ao fazermos isto apenas acabaremos por concluir o quão separados de nós os outros estão.
Estamos sozinhos connosco.
E depois existem aquelas experiências de certa forma dramáticas.
É o estar com uma pessoa e de repente reparar que em certos aspectos somos exactamente iguais, não muito diferentes.
Acabo por experimentar o facto de que a essência que há em mim, é a essência que há também nos outros.
É a compreensão que como seres humanos somos apenas um.
E eu sempre ponderar sobre o tempo que julgo gasto nos últimos anos a tentar ser alguma coisa.
A tentar ser bom em diversas coisas.
Mas isso nunca me fez sentir bem, porque o que eu tenho tentado fazer é descobrir quem no fundo sou eu realmente.
Não há razão para não sabermos quem somos na realidade, e tudo isso é aprendido ao longo do caminho.
Para isso temos de nos afastar da consciência que criamos em que julgamos ser um só organismo. Somos mais que isso. Somos um puzzle contruído por várias e diferentes peças em constante crescimento, num constante processo de evolução.
Não podemos ser um só. Somos fruto de várias vivências ao logo deste caminho.
Se tentarmos ser um só, entramos em guerra connosco próprios, e isso é estar condenado.
Peço desculpa se terei matado alguém ao tentar ser esse só organismo.
Acabei condenado por mim próprio.
Mas há sempre que relembrar que isto é só uma viagem.
É só uma voltinha.

Wednesday, October 8, 2008

Nota pessoal

Ao longo dos últimos tempos, a minha escrita tem vindo a tornar-se pesada e talvez até um pouco obscura. Não foi esta a minha ideia original para este blog, que foi perdendo a cor com o tempo, mas todos sabemos que o nosso percurso neste mundo não se efectua de modo algum, de uma forma linear.
Talvez estes desvios sirvam para nos voltarmos a encontrar.
Não é um erro. É uma necessidade.
Nos últimos dias tomei noção do desvio que tenho feito, talvez pelo medo de voltar a esta realidade e errar.
E o medo, esse, condiciona tudo.

Neste desvio acabei por me esconder por detrás de uma máscara, usada não por maldade, mas apenas pelo desejo de permanecer chegado àqueles à minha volta, poupando-os assim da realidade complicada da minha mente desgastada.
E por detrás da máscara mantenho cabisbaixo, e ao fazê-lo resigno-me a terríveis destinos que não posso ver chegar.
Hoje compreendi que são as nossas memórias, as nossas vivências que dão sentido à nossa existência, e isso incluí todas as paixões, todos os medos, todos os arrependimentos.

Estamos destinados a suportar a escuridão com luz, o mal com o bem, o desapontamento com o sucesso.
Acabaremos sempre por ser confrontados com os nossos piores pesadelos.
Não há muito por onde escolher. Lutamos ou fugimos.
Quando lutamos, esperamos sempre encontrar as forças para encarar os nosso medos, mas por vezes, apesar de nós próprios, fugimos.
Aí coloca-se a questão:
E quando o pesadelo nos persegue, onde nos podemos esconder nesse caso?
São estes momentos de fraqueza, momentos em que perdemos a fé que nos fazem humanos.
São todas as nossas imperfeições.
E como humanos, temos uma certeza:
No final, temos de lutar para nos aguentarmos.

Sunday, October 5, 2008

Heroes


"Na busca contínua por nós próprios, há dias em que descobrimos algo genuinamente novo. Algo não descoberto, escondido. Algo que nunca soubemos que lá estava, algo que nos surpreende. E nesse dia de descoberta própria, a pergunta permanece:
Que tipo de pessoas somos nós?
E enquanto a busca por nós próprios continua, procuramos por respostas em todo lado. Na natureza, em Deus, em pequenas tragédias que poderão nunca ser entendidas. Mas mesmo assim, somos levados até elas, com a mente num só objectivo:
Encontrar o nosso caminho neste mundo.
Por vezes não interessa quais as ramificações, as amizades que possam ser feridas, ou os pactos com o diabo que tenhamos de fazer."

(...)

Não temo fantasmas porque eles moram comigo.
Mais do que isso,

Eles vivem em mim.

Thursday, October 2, 2008

Blackout

(...)
Don't kid yourself
And don't fool yourself
This life could be the last
And we're too young to see*

*Muse


Bater no fundo


"Todas as tentativas para infundir alguma esperança revelam-se um fracasso."

*Foto por Jole

Wednesday, September 17, 2008

Wasted


Já não tenho a certeza de quase nada neste vida porque já vi de quase tudo.
Hoje quero apenas repousar a minha cabeça na almofada e sonhar.
Viver o que nunca aconteceu.


Monday, September 8, 2008

How to live

Nail in my hand from my creator
You gave me life
now
show me how to live.*


*Audioslave

Friday, September 5, 2008


Mantém-te firme.


Sunday, August 31, 2008

Saturday, August 30, 2008

War


Vou comprar uma arma e começar uma guerra.

Se é que no mundo complicado da minha mente desgastada ainda existe algo pelo que lutar.


*Foto por Zenogear

Thursday, August 28, 2008

What is it?


"Fecho os olhos e penso com toda a minha força na minha nova condição, ainda que não esteja bem certo do que significa. Tudo o que sei é que estou completamente sozinho. Desterrado numa terra desconhecida, como um explorador solitário sem bússola nem mapa."

(Haruku Murakami, in 'Kafka à beira-mar')

Será isto liberdade ou extrema solidão?


*Foto por Michel Rajkovic

Tuesday, August 26, 2008

Mirror

(Salvador Dalí, Metamorfose de Narciso)

"Realmente o amor pode libertar o ser introvertido dos abismos da introversão. É o caso dos poetas amorosos: os únicos que na nossa poesia podem ser subjectivos ou introvertidos sem grande dano para si próprios. O homem, para amar, precisa de sair de si mesmo. Narciso ama-se a si próprio, vive enamorado da sua própria imagem. É de si e para si que vive. "A tristeza de nunca sermos dois". Essa é a tristeza de Narciso, a tristeza de todo o homem que não pode sair de si mesmo para aceitar a realidade alheia. O homem ama porque se sente só. Na sua solitária insuficiência espera encontrar fora de si o que nela lhe falta. Há pois, no amor, um sentimento de insuficiência. Esse sentimento existia nele, mas tão forte, tão permanente e tão irremediável que só noutro mundo esperava completar-se. A sua insuficiência afectava-lhe o lado mais importante da personalidade. Ele sentia-se ilimitado: olhava-se a um espelho e não se via. O mundo atravessava-o de lado a lado. Como aspirar então o amor? Como oferecer-se aos outros? Os outros querem realidades. Ele era um fantasma. Como esperar firmeza, lealdade, confiança da parte de um fantasma?"

(adaptado - João Gaspar Simões in 'Poesia de Mário de Sá-Carneiro')

[Mário de Sá-Carneiro nasceu em Lisboa, a 19 de Maio de 1890. Suícidou-se em Paris, a 26 de Abril de 1916. Sobre ele escreveu Fernando Pessoa:
Mário de Sá-Carneiro não tem biografia, só génio]


Conhecer-me a mim próprio.

Que mais há nesta vida para conhecer?



*Foto por Herxg Rice

Monday, August 25, 2008

Tarde Demais


O caminho que tento começar a percorrer há já algum tempo, deveria ter sido tomado muito antes.
Não foi isto que eu quis.
Não foi isto que eu sonhei e não era isto que eu relatava em criança quando carinhosamente alguém me perguntava o que queria ser, quais os sonhos que me moviam.
Nessa altura tinha sonhos. Ainda os tenho, mas já estão adormecidos, dormentes com todo este peso que eu coloquei por cima deles.
A dormência impossibilita o movimento.
Os meus sonhos não voltaram a mover-se. Não voltaram a voar livremente. Não os voltei a sentir da maneira que inocentemente sentia em criança.
-Haja esperança - dizem.
Pois a esperança não é mais do que o manter vivo um sonho e acreditar nele.
Lutar por ele.
De que é então feita a esperança quando já não existem sonhos?
De que vale que o mundo acredite em nós, quando nós já não acreditamos em nós mesmos?
De que valem as palavras apaziguadoras, confortantes, amáveis, quando já não acreditamos nos nossos sonhos?
De que vale?
Talvez valha o sorriso dos outros, dos que nos rodeiam.
Talvez valha todas as alegrias e tristezas, todos os momentos e até o mais ínfimo silêncio junto deles.
E eu?
É essa a culpa que não quero sentir que me faz ponderar cada passo.
Se ao menos tivesse aprendido a olhar um pouco mais para mim talvez tudo seria diferente.
Talvez.
Agora, resta uma só certeza:

É tarde demais
.


Monday, August 18, 2008

<< Rewind - Play >

I'm repeating all the stories again.

Saturday, August 9, 2008

"...muitas vezes pensei em fazer isso mesmo, mas era tarde, isto é, a porta tinha-se fechado até outro dia, que é aquele que acaba por nunca chegar, e então as palavras caiem no vazio, como se nunca tivessem sido pensadas."

Nada!

Este vácuo medonho que sinto no meu seio.

Resta-me o pensamento de que o vácuo é um vazio cheio

de nada
!

Sunday, July 13, 2008

Tarde demais...


"Muito cedo na minha vida foi tarde demais. Aos dezoito anos era já tarde demais. Entre os dezoito e os vinte e cinco anos o meu rosto partiu numa direcção imprevista. Aos dezoito anos envelheci. Não sei se é assim com toda a gente, nunca perguntei. Parece-me ter ouvido falar dessa aceleração do tempo que nos fere por vezes quando atravessamos as idades mais jovens, mais celebradas da vida. Este envelhecimento foi brutal. Vi-o apoderar-se dos meus traços um a um, alterar a relação que havia entre eles, tornar os olhos maiores, o olhar mais triste, a boca mais definitiva, marcar a fronte de fendas profundas.
(...)
Tenho um rosto lacerado de rugas secas e profundas, a pele quebrada. Não amoleceu como certos rostos de traços finos, conservou os mesmos contornos mas a sua matéria está destruída. Tenho um rosto destruído.
(...)
A história da minha vida não existe. Isso não existe. Nunca há um centro. Não há caminho, nem linha.
Há vastos lugares onde se faz crer que havia alguém, não é verdade, não havia ninguém."

Marguerite Duras, in 'O Amante'

Thursday, July 10, 2008

"Quero saber o que desejas ardentemente, se ousas sonhar em atender aquilo pelo qual o teu coração anseia(...)
Quero saber se arriscarás parecer um tolo por amor, por sonhos, pela aventura de estar vivo.
(...)
Quero saber se tocaste o âmago da tua dor, se as traições da vida te abriram ou se te tornaste murcho e fechado por medo de mais dor!
Quero saber se podes suportar a dor (...) sem procurar escondê-la, reprimi-la ou narcotizá-la (...)
Quero saber se consegues desapontar outra pessoa para ser autêntico contigo mesmo, se podes suportar a acusação de traição e não traíres a tua alma.
(...)
Quero saber se podes viver com o fracasso (...)
Quero saber se podes levantar-te após uma noite de sofrimento e desespero, cansado, ferido até aos ossos, e fazer o que tem de ser feito (...)
Quero saber o que te sustenta a partir de dentro, quando tudo o mais se desmorona.
Quero saber se consegues ficar sozinho contigo mesmo e se, realmente, gostas da companhia que tens nos momentos vazios."

Jean Houston

Tuesday, June 24, 2008

E depois, o silêncio...


"Mantém-te a flutuar por todos os meios; porém, se te for impossível, tem o valor de te afundares sem ruído."

(Rabindranath Tagore)

Saturday, June 14, 2008

Death and all his friends

No I don't wanna battle from beginning to end
I don't want a cycle of recycled revenge
I don't wanna follow Death and all of his friends


And in the end we lie awake, and we dream of making our escape


(Coldplay - Death and all his friends)


Wednesday, June 11, 2008


Em vão!
- diga-se de passagem

Monday, June 9, 2008

Today

Quero ir.

Deixem ir, ou levem-me.

Levem-me para bem longe...longe de mim.

Monday, June 2, 2008

"Escrevo para não gritar"

(Caio Fernando Abreu, in 'Marinheiro')

Thursday, May 29, 2008

Esperança?


Tempos houve em que a única coisa que esperava era alcançar uma felicidade [e tudo o que advém daí] que despertasse os genuínos sorrisos que em mim tanto ansiavam por sair.
Era uma certeza que me acompanhava.
Hoje vejo que não tenho essa certeza a meu lado.
A única coisa que permanece é a cruel ausência de vida na própria vida, é esta imoral vontade de desistir de mim mesmo.
Mas já não o terei feito?
Queria acreditar que não.
Queria acreditar que depois do inverno e de todas as tempestades chegará a primavera, os raios de sol, que quebram a escuridão e aquecem o ar gélido que se instalou.
Queria acreditar.
Mas, nas palavras de Lispector:

"A esperança é um filho ainda não nascido, só prometido, e isso magoa."


Saturday, May 17, 2008

Ver claro em mim

Viajar até dentro de mim. [facto]
Colocar-me perante o espelho e ver o aquilo que verdadeiramente sou. [ver claro em mim]
Saber captar e aproveitar as "pequenas" essências da vida: um sorriso, um gesto, uma imagem, uma palavra.
Esvaziar o que está cheio, encher o que está vazio.
Já Carl Rogers defendia que o ser humano é bom na sua essência.
Palavras sábias - digo.
Hoje, e olhando para mim, deixo apenas isto:


"Ver claro em nós e como os outros nos vêem!
Ver esta verdade frente a frente!
E no fim o grito de Cristo no calvário, quando viu frente a frente a sua verdade:
Senhor, senhor, porque me abandonaste?"

(Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego)

Monday, May 5, 2008

T.S. Eliot

Because I do not hope to turn again
Because I do not hope
Because I do not hope to turn

(T.S. Eliot, in 'Ash Wednesday')

How is it?


How does it feel when your feet finally hit the ground?

Sunday, April 27, 2008

Who are you?

"Olhou-se no espelho e viu um estranho. Recusou-se a assimilar o reflexo num suspiro quase inaudível de insatisfação. Em vão. Atenuar efeitos não o sustentaria agora - nada o sustentaria agora. Ainda assim pensava ser ilógico tudo aquilo. Não entendia como o rosto continuava o mesmo. Quem era aquele que, dissimuladamente, estava a ocupar seu lugar? Fez incidir pensamentos sobre pensamentos, mas não concluiu coisa alguma. Sentiu-se prisioneiro em si mesmo, um "si" que já nem o pertencia mais. Chorou cada lágrima do outro como se fosse sua para, finalmente, aceitar que era dois. Sempre fora dois."

Friday, April 25, 2008

(...)

Hoje é assim.
Um murro no estômago.




"It's only a matter of time"

(Há correspondência com 2:37)

Dogville

Não é sobre o bem nem sobre o mal...



...é sobre o ser humano, em toda a sua essência.

How much did 21 grams weight?


Thursday, April 17, 2008

O Haver

(...) Resta essa faculdade incoercível de sonhar, de transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade; de aceitá-la tal como é, e essa visão ampla dos acontecimentos, e essa impressionante e desnecessária presciência, e essa memória anterior de mundos inexistentes, e esse heroísmo estático, e essa pequenina luz indecifrável a que às vezes os poetas dão o nome de esperança.
(...) Resta esse diálogo quotidiano com a morte, essa curiosidade pelo momento a vir, quando, apressada ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada. Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto, esse eterno levantar-se depois de cada queda, essa busca de equilíbrio no fio da navalha, essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo infantil de ter pequenas coragens.



Vinicius de Moraes, in 'Jardim Noturno - Poemas Inéditos'

Tuesday, April 15, 2008

Prisons




"Our bodies are prisons for our souls. Our skin and blood, the iron bars of confinement. But fear not. All flesh decays. Death turns all to ash. And thus, death frees every soul."




(Há correspondência com "The Fountain")

Thursday, April 10, 2008

Momentos

Há momentos que me impoêm por completo o silêncio...

Uma foto...


[Por Augusto Brázio - vencedor do prémio Fotojornalismo Visão|BES 2008]


Uma música...




[E é nestes momentos que tento fazer com que tudo tenha valido a pena.]

Tuesday, April 8, 2008

Equilíbrio

Somos do tamanho daquilo que sentimos e não do tamanho que os outros nos vêem - dizem.
Se assim for, não haverá então alturas em que somos grandes, enormes? Quando sentimos que carregamos todos os sentimentos do mundo, o que quer que seja que isso signifique ou acarrete. E quando a nossa grandeza se torna também na nossa maior fraqueza, então sim, aí acarreta muita coisa. Aí os sonhos e a esperança vivem lado a lado com a desilusão e o desespero.
Caminhamos numa ténue linha que separa todos estes sentimentos opostos.
[E ainda hoje não compreendo porque os chamam de opostos].
O desespero é o que se apodera de nós quando a esperança já se foi, e isto faz com que também esse desespero seja parte da tão insistente esperança
(que teima em querer ficar, talvez para esconder a desilusão pronta a aparecer ao primeiro adeus do sonho).
Assim sendo, acredito que não seja assim tão descabido toda essa presumível grandeza ser também a maior fraqueza.
É suposto existir um certo equilíbrio.
Não será?
Mas como se aprende a ver
(e ganhar) esse equilíbrio, quando do nosso lado esquerdo carregamos todo o peso de uma vida?
Todas as tristezas, todas as alegrias.
Se esse suposto equilíbrio não existir, então, no nosso coração, uma delas é rainha.
No entanto, ainda estamos vivos.
Certo?

Thursday, April 3, 2008

Dentro de mim

Fugi; para dentro de mim.

Sunday, March 30, 2008

Magic Doors

Faltando a inspiração de outros dias, aqui fica.




Wednesday, March 26, 2008

Roads

"Caminhante, não há caminho. Faz-se o caminho ao andar."
(Machado y Ruiz)

Saturday, March 22, 2008

Mors et Vita

Naquela noite chuvosa, a voz por detrás do telefone parecia trémula.
-Estás bem? - perguntava.
Sabendo eu que aquela pergunta queria revelar algo que a alma não conseguia guardar.
A conversa não passou dali.
A manhã seguinte chegou, com um acordar que prometia um dia solarengo.
Uma inesperada visita despertou-me.
Ofereceu-me um bom dia com um sorriso - não genuíno, é certo - mas no entanto era ainda um sorriso. Ainda agora o recordo, tal era a tristeza que carregava.
A conversa trivial que se instalou soava-me a "cerimónia". No fundo ambos sabíamos o motivo daquele encontro - pelo menos eu desconfiava.
A voz tornou-se ainda mais trémula e a insegurança notava-se no mais pequeno poro, como quem transpira depois de um enorme esforço (fisíco ou psicológico).
Um silêncio ensurdecedor e pesado instalou-se.
Ele ganhava a coragem para soltar o que o trouxera ali.
Eu permanecia na ângústia da espera, querendo ouvir a justificação.
-Chegou a hora. Partiu. - e o silêncio quebrou-se.
As lágrimas correram-me.
Ele permanecia apático no seu olhar, querendo no entanto demonstrar toda a segurança do mundo.
Eu via nele o homem que tentava suportar todo o peso do mundo ao conter aquelas lágrimas que tanto gritavam para sair.
O dia que prometia ser solarengo, rápido se tornou chuvoso. Em todos os sentidos.
Talvez fossem os anjos a soltar as lágrimas que se tentavam conter para não transparecer a dor.
Para mim não foi o fim. Foi um até já, como quem nos espera na próxima esquina sempre a olhar por nós.
Sei agora que nos dias solarengos que virão, parte do brilho virá também do verde dos teus olhos. Nesses dias, em todos os outros dias, resta-me dizer:
Até já.


["A morte é continuação. Uma partida que tem reencontro" - (CSMF)]

2:37


Intrigante. Perturbador. Imperdivel.

Mais do que lidar com os nossos erros, até que ponto conseguimos lidar com nós mesmos?

Monday, March 17, 2008

Dreamscenes

Porque não poderia deixar de ser.
Porque a beleza se traduz de diversas maneiras.


Sunday, March 16, 2008

Os Mesmos Erros

"Mesmo um exame superficial da história revela que nós, seres humanos, temos uma triste tendência para cometer os mesmos erros repetidas vezes.
Temos medo dos desconhecidos ou de qualquer pessoa que seja um pouco diferente de nós.
Quando ficamos assustados, começamos a ser agressivos para as pessoas que nos rodeiam.
Temos botões de fácil acesso que, quando carregamos neles, libertam emoções poderosas."

Carl Sagan, in 'O Mundo Infestado de Demónios'

Saturday, March 15, 2008

Dostoiévski

"Sou um mestre na arte de falar em silêncio.
Toda a minha vida falei calando-me e vivi em mim mesmo tragédias inteiras sem pronunciar uma palavra"

(Fiódor Dostoiévski)


Friday, March 14, 2008

Navegar

O oceano é infinito e o barco continua a navegar.
As noites, os dias. Nada o impede de continuar o caminho.
Há noites em que as estrelas simplesmente não se vêm, talvez encobertas pelo cinzento das nuvens que a tempestade trouxe.
E fico agora com um mapa que não consigo decifrar.
Hoje sou um pouco de tudo isto. Sou mar, sou noite, sou tempestade, sou um pouco de qualquer coisa.
A esperança do amanhã permanece e estou disposto a deixar que esse amanhã me conheça.
Que venham as estrelas cintilantes que me guiam na noite.
Que venham os raios de sol no silêncio da manhã, que atravessem o mar e o tornem água luminosa.
Estou vivo e sou alguém.
Embora um pouco longe vou continuar
(talvez algumas das vezes perdido).
O que realmente importa é continuar a navegar.

Adormecido

No cenário da tua vida
Aclamas noites alucinantes
De gentes estonteantes
Que são tanto como tu

No teatro do teu olhar
Há quem note que a coragem
Não passa de uma miragem
Com preguiça de gritar

No repetir do teu mostrar
Inventas-te uma história
Que em ti não há memória
Porque sabes que não é tua...

(...)

Continuas a ensaiar
A conveniência do sorriso
O planear do improviso
Que te faz sentir maior

No artifício dos teus gestos
Pensas abraçar o mundo
Quando nem por um segundo
Te abraças a ti mesmo

E assim vais vivendo
E assim andando aí
E assim perdendo em ti
Tudo aquilo que nunca foste...

(...)

Quando um dia acordares
Numa noite sem mentira
E te vires onde não estás
Vais querer voltar para trás.

(Toranja)

Wednesday, March 12, 2008

Tempos Adversos




(...)
Claro que temos que andar
são os tempos adversos
Que puxam para trás
É claro que temos que ver a estrada
Que um dia a história acaba...
(...)


(Toranja)




Sunday, March 9, 2008

Requiem For a Dream

"Até a esperança se pode tornar num vício"
(Darren Aronofsky)

Darren Aronofsky não cria filmes, cria experiências.
Perturbante desde o primeiro ao último segundo.





Monday, March 3, 2008

Extreme Ways


"I closed my eyes and closed myself
And closed my world and never opened
Up to anything
That could get me along
I had to close down everything
I had to close down my mind
Too many things to cover me
Too much can make me blind
I've seen so much in so many places
So many heartaches, so many faces
So many dirty things
You couldn't even believe"

(Moby)


Would I stand in line for this?

See you.



Tuesday, February 26, 2008

Eternal Sunshine of the Spotless Mind

How happy is the blameless vestal's lot!
The world forgetting, by the world forgot
Eternal sunshine of the spotless mind!
Each pray'r accepted, and each wish resign'd.


(Alexander Pope)

Eterno

(...)
Se eu não morresse, nunca! E eternamente
Buscasse e conseguisse a perfeição das coisas...
(...)


(Cesário Verde)

Thursday, February 21, 2008

Sobreviver

Estamos todos ligados.
Não sabemos como nos afectamos, mas todos nos afectamos de formas diferentes, acabando assim por existir um ensinamento mutuo.
A vida é um seguimento de acontecimentos.
Perdemos a nosso infância, perdemos a nossa inocência, por vezes perdemos a fé e os nossos sonhos, e por fim perdemos a vida.
Rastejamos num lamaçal de arrependimentos, esperanças, amores e perdas.
De vida e de morte.
Isso não é negativo.
A condição humana pode ser, por vezes, dolorosa, mas acima de tudo, é verdadeira, e é assim, que como pessoas, devemos abordar a realidade que não podemos escapar.
A vida continua.
Por muito
"sinistro" que possa parecer, na mais adversa das circunstâncias, é a verdade.
Aquilo que receamos pode realmente acontecer, mas uma certeza, embora que por vezes camuflada, está sempre presente:
Se tal acontecer, nós conseguimos aguentar.

A que preço?

Apenas porque sim...

Saturday, February 16, 2008

Talvez...



"Talvez o céu seja um mar grande de água doce e talvez a gente não ande debaixo do céu mas em cima dele;
talvez a gente veja as coisas ao contrário e a Terra seja como o céu e quando a gente morre, quando a gente morre, talvez a gente caia e se afunde no céu."

José Luis Peixoto, in 'Nenhum Olhar'

Sunday, February 10, 2008

Detaills

Detaills  make all the difference.

Saturday, February 2, 2008



"The hand has five fingers, capable and powerful, with the ability to destroy as well as create."

[SOAD]


Wednesday, January 30, 2008

Harvey Milk

"If a bullet should enter my brain, let that bullet destroy every closet door."

(Harvey Milk)

Monday, January 28, 2008

Conseguem ouvir?

Hoje faltam-me as palavras, e é no silêncio que procuro a inspiração, no silêncio desta melodia que permanece dentro de mim.
Guardo-a.
Fecho os olhos para que fique em mim e deixo-me ficar.
Parto numa viagem ao meu interior, como talvez nunca o tenha feito.
Fascinante, talvez pelo seu tamanho e por tudo aquilo que carrega, é a imensidão existente em nós, comparável ao profundo do mar que todos os dias dá abrigo ao sol.
Compreendo agora porque levamos uma vida inteira na descoberta daquilo que somos, que nos vamos tornando. E cada vez essa imensidão vai aumentando, juntamente com os dias que em que vamos desbravando caminho.
Mais que uma vida, carregamos todo o sentimento e significado que viver acarreta.
E nesta imensidão acabamos tantas vezes por nos perder na procura daquilo que somos, na procura, não daquilo que queremos, mas daquilo que necessitamos.
Não chegará uma altura em que é necessário abrir os olhos e deixar tudo partir?
- penso
Deixar fluir tudo de dentro de nós, soltar esta melodia para que com ela leve tudo o que o silêncio trouxe.
Mas não, mantenho os olhos bem fechados, para que aquela melodia não saia de dentro de mim
(apesar do silêncio), porque é por detrás dos meus olhos, nessa imensidão tão profunda, que  o sol se ausenta antes do nascer de cada dia.

Friday, January 25, 2008

A mão trémula segura a caneta, mas hoje não encontro em mim palavras que consigam traduzir-me.
Irónico
(quando existe sempre tanto que é necessário ser dito)

Tuesday, January 22, 2008

How much?

Quem permanece?
Partir, iniciar o rumo neste caminho. Começar um jogo onde ninguém acabará por sair vencedor e muito menos derrotado.
Mesmo assim arriscamos. Entramos em jogo com a vontade (que é o que sempre nos move) de sairmos vitoriosos.
Deixar a marca, a sensação de que fomos de facto os mentores dessa tão ansiada e possível (cremos nós) vitória.
E no final, quem permanece?
O peso do corpo, a leveza da alma.
Mais do que isso permanece o passado, o caminho desbravado, os ínfimos mas eternos momentos.
Permanecemos nós.

"O que é que isso vale?"
- dizem;
"Vale muito mais que o suficiente para se arriscar" - respondo.

Vale mais que o suficiente para partir.

Monday, January 21, 2008

Vive o instante que passa

"Vive o instante que passa. Vive-o intensamente até à última gota de sangue. É um instante banal, nada há nele que o distinga de mil outros instantes vividos. E no entanto ele é o único por ser irrepetível e isso o distingue de qualquer outro. Porque nunca mais ele será o mesmo nem tu que o estás vivendo. Absorve-o todo em ti, impregna-te dele e que ele não seja pois em vão no dar-se-te todo a ti. Olha o sol difícil entre as nuvens, respira à profundidade de ti, ouve o vento. Escuta as vozes longínquas de crianças, o ruído de um motor que passa na estrada, o silêncio que isso envolve e que fica. E pensa-te a ti que disso te apercebes, sê vivo aí, pensa-te vivo aí, sente-te aí. E que nada se perca infinitesimalmente no mundo que vives e na pessoa que és. Assim o dom estúpido e miraculoso da vida não será a estupidez maior de o não teres cumprido integralmente, de o teres desperdiçado numa vida que terá fim."

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente IV'

Eternidade?




Como seres sentimentais, somos feitos de pequenos momentos, pequenos pedaços que a vida nos vai dando.
Um enorme puzzle, onde cada uma das pessoas que passa por nós
- no decorrer natural dos acontecimentos - vai deixando a sua peça, a sua parte.
É inevitável, tal como a hora da partida.
Talvez aí compreendamos então este enorme "quadro" que se vai formando, onde todas as peças são realmente preponderantes.
Caminhos diferentes, o mesmo destino.
Há quem, por circunstâncias alheias, acabe por tomar um atalho e termina a viagem cedo demais, mas a peça do puzzle continua connosco.
Permanece ali porque aquele é o lugar onde se encaixa na perfeição.
Não existe outro.
Não será isto a eternidade?

Friday, January 18, 2008

The Fountain

Mais que um filme, é uma experiência.

Tuesday, January 15, 2008

On my way


Vozes

"Não se pode rejeitar a tristeza, assim como não se pode rejeitar a sombra.
A grande beleza de uma paisagem vem do contraste entre a luz e a sombra.
É por isso que temos de aceitar o mal com a mesma maturidade que aceitamos o bem."

(Vera Xavier)

Saturday, January 12, 2008

Encontrar-se

Como humanos, somos a única espécie que se preocupa com o passado.
As nossas memórias dão-nos voz, transportam história para que outros possam aprender com os nossos triunfos e as nossas falhas.
Sim, as nossas falhas.
Creio que são elas que nos ensinam mais que os próprios triunfos, embora as queiramos esconder na parte mais obscura do nosso ser.
Da mesma maneira que não existe amor sem tristeza, sorriso sem lágrimas, dia sem noite, também nós como seres humanos que somos, porque existimos, possuímos uma parte iluminada e uma parte obscura.
Por vezes, a simples necessidade de espreitar para esse lado mais obscuro, causa dor.
Eventualmente haverá alturas em que colocamos em causa tudo aquilo que somos, porque acabamos por descobrir que na nossa viagem não fomos sempre ao encontro dos nossos valores, dos nossos ideais, embora no fundo saibamos que esses pequenos desvios apenas serviram para encontrar o caminho.
Ninguém disse que a viagem ao interior de nós seria calma, suave e agradável.
Da mesma maneira que nos pode trazer alegria, desenhar sorrisos; também pode
(e concerteza que o faz) trazer tristeza, lágrimas.
Mas como Goethe mencionou:


"Quando um homem não se encontra a si mesmo, não encontra nada"

Thursday, January 10, 2008

Refaço-me



"Tudo o que é meu, é tudo o que não sei largar"

Posto isto, refaço-me agora no que outrora o medo não levou.
Se é verdade que a vida é um ciclo sem fim
- penso - resta-me dizer-lhe:

Eu estou pronto.

Estarei?

Tuesday, January 8, 2008

Dream on our way

Serão os sonhos aqueles que nos movem tranquilamente?
Acreditamos que é neles que reside a felicidade, porque no fundo sabemos que o mundo é um lugar simples, por vezes visto sem qualquer tipo de magia.
Tantas vezes o desejo da realidade acompanha-nos ao virar de cada esquina.
O desejo de uma realidade desprovida de sonhos, porque somos seres racionais, fazendo dos factos alguns dos alicerces da nossa sabedoria.
Será mesmo isso que queremos?
Se conseguíssemos viver, por um ínfimo momento, esses sonhos, conseguiríamos ver algo especial. Procuraríamos a realidade, mas não a encontraríamos, porque na verdade; 
Todos queremos viver enganados.